A assustadora criatura chamada Lapso

Inicio esta reflexão com uma frase que jamais esquecerei, da excelentíssima Professora Doutora Laura Lemos que, no decorrer da elaboração da minha tese de mestrado, sabiamente me disse “Cátia, vão sempre escapar erros, ortográficos ou não. É natural, acontece sempre.”. E como estava certa, Professora… Isto porque, mesmo depois de reler pelo menos trinta vezes a tese, deparei-me com um lapso já depois de a ter entregue. Acredito que outros mais terão passado. Então vamos lá ao tema desta reflexão: lapsos, erros e outras irritações que assombram os escritores.

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“No fim do jogo, o rei e o peão voltam para a mesma caixa”

Como diz um provérbio italiano, “No fim do jogo, o rei e o peão voltam para a mesma caixa.”. E, de facto, tal como num jogo de xadrez (que, diga-se, serve de alusão a um momento particular da história), personagens improváveis – peões, portanto – unem-se às restantes peças, formando um grupo extremamente heterogéneo, e desta forma emancipam o que há de melhor em cada um. São as diferenças que nos tornam especiais, mas nem por isso somos melhores ou piores que os demais. Embora “Dama-da-noite” seja essencialmente uma fantasia, possui várias conexões com o mundo real, particularmente no que respeita às ligações humanas e à maneira como enfrentamos a diferença. Creio que a mensagem principal desta obra se prenda exatamente a essa ideia, de que não é o nosso passado, ou a nossa origem, que define quem somos hoje. Embora carreguemos cicatrizes de quem outrora fomos, não devemos ser julgados por elas. Estamos em constante metamorfose. E não é que um peão pode mesmo pôr em xeque o rei? Afinal, no fim do jogo, são apenas duas peças de xadrez, guardadas numa mesma caixa.

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Fonte da imagem: Freepik

Nostalgia…

As primeiras páginas que escrevi desta história já têm quase uma década. Antes de me ter dedicado inteiramente a ela, visitei outros cenários, outras realidades e outras fantasias. Embora tenha abordado conceitos e temáticas muitíssimos diferentes em anteriores (e incompletas) histórias, com certeza posso afirmar que, graças a elas, aventurei-me por novas aprendizagens que contribuíram para a criação desta obra. Para o primeiro volume desta trilogia, optei por me focar primeiramente no desenvolvimento interior de cada personagem e na criação e consolidação de laços. Isto não implica que, no decorrer destes processos, os personagens não se vejam emersos em aventuras e constantes desafios. Muito pelo contrário; cenários de ação e aventura são uma constante. Um dos pilares para a construção dos laços entre os personagens assentou na ideia de que, mesmo tendo origens tão diferentes, devem aprender a aceitar e a lidar com o caráter idiossincrático dos seus companheiros, e até mesmo dos seus inimigos. Como é nostálgico reler passagens das aventuras e desventuras destes personagens criados pela menina que eu há dez anos era, e que presentemente ainda luta e insiste por se tornar a mulher que aspirava ser.

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“Junção de mitologia, religião e ciência”

A inspiração para este livro remonta a mais de uma década atrás. No começo da minha adolescência, assisti “Rose Red” de Stephen King na companhia do meu irmão. Senti-me imediatamente apaixonada pelo desenrolar de mistérios e, inevitavelmente, voltei a assistir com a minha melhor amiga, e depois sozinha uma data de vezes… Foi assim que me senti inspirada a escrever um livro. Propu-lo à minha melhor amiga que prontamente aceitou. Escrevemos vários capítulos em conjunto, tínhamos até planeado um segundo volume, mas essa história não chegou a ser concluída. Anos mais tarde, resolvemos voltar a escrever, mas histórias separadas. Cada uma criou os seus personagens e a sua história. Quase diariamente enviámos capítulos uma à outra e esse ritual durou cerca de três, quatro anos. Para as minhas histórias, fui buscar inspiração a livros que encontrei na garagem lá de casa sobre curiosidades sobre o sobrenatural. A minha ânsia por mais conhecimento levou-me a adquirir novos livros e a consultar informação online sobre interpretações de várias culturas e religiões. Anos mais tarde, após reler e reescrever alguns capítulos, decidi-me finalmente a publicar o primeiro volume de uma saga que, a princípio, será uma trilogia. Fiz bastante pesquisa para que, embora “Dama-da-noite” seja uma fantasia, possua várias ligações com o real, especialmente no que diz respeito à participação de nomes conhecidos de algumas tradições. A junção de mitologia, religião e ciência parece uma mistura improvável, mas veio a revelar-se bastante homogénea e deu-me espaço para que criativamente fosse tecendo esta história.

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